A partir do nome, o conceito da instalação foi se moldando ao redor da ideia de memória e da sua fragmentação. Confesso que, com base nas referencias que me serviram de inspiração, tenho me aproximado de conceitos do campo da psicologia, como as ideias de desfragmentacao, paranoia, esquizofrenia, como conceitos que quero trabalhar do ponto de vista artístico e estético.
A palavra Oblivium me trouxe à mente a fragilidade da memória coletiva e a desintegração das identidades que estão em processo de marginalização e apagamento. Como o projeto lida com os imigrantes brasileiros em Portugal, pensei que seria interessante usar elementos que refletissem como essas memórias são fragmentadas — não só pelas experiências pessoais de deslocamento, mas também pelas forças externas que tentam apagar essas histórias, no caso aqui pensando especificamente nos discursos de ódio.
Num plano inicial, consigo visualizar rostos desfragmentados, flutuando no espaço, em constante mutação. Como se esses rostos representassem os imigrantes que, como suas memórias, estão em um estado de deslocamento e reconstrução contínuos. Eles não seriam completos, mas fragmentados, desconstruídos. Penso que esse conceito ajuda a refletir a noção de que a identidade e a memória de alguém pode ser vista como algo mutável, algo que pode ser rasgado e reconstruído ao longo do tempo, especialmente quando forçada a conviver com a marginalização.
Sigo buscando referencias visuais e estéticas para me ajudar pensar na prototipagem do artefato.

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