
Apresento aqui algumas inspirações iniciais que tem me auxiliado a pensar no percurso e na criação do artefato. Num primeiro momento, queria pensar numa ideia de esquizofrenia, algo que causasse um incômodo, um desconforto. Há um tempo li um artigo falando sobre o risco aumentado de imigrantes desenvolverem esquizofrenia ou psicose, e penso que essa ideia no contexto da imigração é extremamente potente para render um trabalho profundamente impactante. As minhas ideias iniciais parte desse desconforto, na qual gostaria de convidar o espectador a confrontar algo que, muitas vezes, é ignorado ou mal compreendido, especialmente quando se trata da saúde mental dos imigrantes, da perda de identidade e, sobretudo, da fragmentação da memória coletiva.
Inspiração 1:
https://www.youtube.com/watch?v=MGwWpeWrM-0
Nesta inspiração inicial, chama-me atenção a forma como as memórias são deletadas, promovendo uma alusão a uma ideia de como o impacto psicológico do deslocamento, do exílio, da migração forçada, ou até mesmo da experiência de marginalização. Para muitos imigrantes, as memórias do passado, como as de uma terra natal, família e cultura, podem ser apagadas ou diluídas à medida que se distanciam dessa origem. Ao mesmo tempo, a nova realidade em um lugar estrangeiro pode ser difícil de integrar, gerando uma sensação de desconexão entre o que foi perdido e o que está sendo construído.
Para mim essa ideia de superficialização dessas memórias, na qual podem ser entendidas como desprezíveis e facilmente ignoradas, me chama atenção. Esse processo de reduzir experiências, sentimentos e histórias a algo trivial reflete, de certa forma, a maneira como muitas vezes a sociedade vê as vivências dos imigrantes. A superficialização dessas memórias não é apenas uma questão de esquecimento, mas de deslegitimação dessas vivências, como se elas não merecessem espaço para existir ou ser ouvidas.
Inspiração 2
https://www.youtube.com/watch?v=0NhoQ0XoBOM
Neste videoart, percebe-se uma ideia de apagamento, de silenciamento. Quando se pensa nas experiências dos imigrantes, muitas vezes há uma sensação de que suas histórias são apagadas ou silenciadas, seja pela sociedade, pela dificuldade de comunicação ou de se expressar, pela perda de identidade no processo de adaptação ao novo ambiente. Mas aqui, sobretudo, quero pensar no silenciamento, no apagamento. No vídeo há a utilização de um glitch, como uma metáfora para o silenciamento e o apagamento no contexto das experiências de imigração.
O glitch (ou esse erro digital, a falha no sistema) poderia simbolizar o momento de desconexão entre o imigrante e o novo ambiente, o interrompimento da comunicação e da identidade, e até mesmo a distorção da experiência pessoal e coletiva.
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